O violinista Stéphane Grappelli já era um veterano em 1975. Aos 67 anos, ele já havia lançado 10 discos, tocado com o pianista inglês George Shearing, depois de uma infância difícil tocando violino pelas ruas de Montmartre, talvez o mais boêmio bairro de Paris.
Numa tarde do início daquele ano, Grappelli gravava no estúdio Abbey Road, em Londres, quando foi chamado por um sujeito na casa dos 30 anos para gravar uma participação no disco deles por 300 libras (R$ 735, atualmente), que acontecia no andar de cima.
O homem magrelo, esguio, de cabelos escorridos era Roger Waters, o baixista do todo-poderoso Pink Floyd, banda que redefiniu o termo rock progressivo e psicodélico. Eles preparavam o disco seguinte ao lendário Dark Side of the Moon, lançado em 73. E Grappelli participaria da música que daria nome ao tão inesquecível quanto Wish You Were Here, que foi lançado naquele mesmo ano.
A fita com a gravação do violinista ficou perdida nos arquivos dos estúdios da Abbey Road por 36 anos. A banda, até hoje, não sabe porque não usou a versão com o violino de Grappelli no álbum. Julgaram que a versão havia se perdido. Mas essa é apenas uma das infindáveis e deliciosas raridades às quais os fãs da banda terão acesso a partir de setembro.
Assim como foi feito com todo o catálogo dos Beatles, há dois anos, a gravadora EMI planeja uma série de relançamentos que irá explorar toda a obra do Pink Floyd, com itens básicos ou caixas especiais para colecionadores.
Os lançamentos serão divididos em três datas, em 26 de setembro, 7 de novembro e 27 de fevereiro, “para facilitar a vida do fã”, como disse o vice-presidente de marketing da gravadora, o inglês Giancarlo Sciama, que esteve com alguns jornalistas na semana passada para apresentar as novidades e realizar uma audição com alguns materiais inéditos que estarão no lançamento. Sciama estava preocupado com o vazamento de alguma faixa rara que seria exibida e, por seguidas vezes, fez questão de pedir para que os gravadores e celulares fossem desligados.
A frente do projeto há dois anos, mergulhado em pesquisas sobre a obra do Pink Floyd, ele afirmou que só conseguiu ter consciência do real poder da banda em maio deste ano, durante a apresentação de Roger Waters na O2 Arena, em Londres, durante a atual e ambiciosa turnê The Wall Live.
David Gilmour, guitarrista da banda, surgiu no palco e os dois, juntos, executaram Comfortably Numb. “As pessoas, que até então estavam comportadas, começaram a pular e bater palmas. Aquilo tudo foi muito emocionante”, garante.
Seguindo a estratégia de expandir a obra do Pink Floyd e atingir novos e antigos fãs, serão lançados três tipos de conjuntos de lançamentos. São eles: Discovery, Experience e Immersion (descoberta, experiência e imersão, em português). Os nomes não poderiam, mesmo, ser melhores.
No pacote Discovery, todos os 14 discos de estúdio da banda serão relançado com o áudio remasterizado por James Guthrie, produtor responsável por The Wall, outro memorável álbum do grupo, mundialmente lançado 1979. Eles poderão ser comprados todos juntos, numa caixa, ou separadamente, em formato físico ou digital.
Todos virão com encartes com as letras das músicas e novas imagens da banda. Os valores dos discos ainda não foram divulgados, mas seguirão o preço de catálogo, segundo a gravadora. Mas o grande barato para os fãs da banda são, mesmo, os pacotes Experience e Immersion.
Ambos comtemplam, apenas, três álbuns: The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e The Wall (1979). Mas há muito mais conteúdo interessante, já que o material extra é um verdadeiro deleite para os fãs de música.
E ouvir os extras (este repórter garante, após a audição de 8 extras) é como tentar uma nova viagem para dentro da complexa sonoridade criada pelo Pink Floyd. Ainda capaz de fazer os pelos do braço se arrepiarem.
Fonte: http://www.territorioeldorado.limao.com.br/musica/mus124429.shtm








